Disputa chinesa por carne bovina enxuga oferta e deve sustentar arroba acima de R$ 400 até o fim do ano

A retomada agressiva das compras da China em outubro, que quase quadruplicaram em volume na comparação com setembro, está acirrando a concorrência pela carne bovina brasileira e prometendo refletir diretamente nos preços internos do boi gordo. Os embarques para o país asiático atingiram 41,9 mil toneladas. O mercado analisa que a escassez de animais prontos para abate é um fator decisivo para transformar a marca de R$ 400 por arroba em um piso seguro no mercado físico até dezembro.
Os números compilados no relatório da Terra Agro Insights, com base nos registros da Secex, mostram que a China retomou o posto de destino líder das exportações brasileiras no mês, respondendo por 21,4% do share total. O forte apetite asiático gerou uma receita expressiva de US$ 292,5 milhões em outubro, representando um salto de 328,5% em relação a setembro. O poder de barganha chinês ficou evidente no preço: o valor médio pago atingiu US$ 6.985 por tonelada FOB, um prêmio de cerca de US$ 800 acima do desembolsado por outros compradores globais.
Apesar do forte direcionamento à China — que comprou 3,8 vezes mais do que no mês anterior — as exportações totais de carne bovina do Brasil não cresceram, estacionando perto do recorde de 195 mil toneladas. O documento destaca que "a China disputa a mesma carne com os outros compradores, porque falta boi". Essa disputa acirrada pela oferta enxuta é o que tem garantido a forte sustentação dos preços.
Essa pressão de alta, projetada no mercado físico, já é uma realidade sólida no mercado financeiro. Em consulta direta às cotações oficiais no site da B3 nesta sexta-feira, os contratos futuros do boi gordo, especialmente os vencimentos de novembro e dezembro de 2026, operam balizados consistentemente acima dos R$ 405,00 por arroba. A bolsa reflete, portanto, a exata dinâmica destacada pela escassez de matéria-prima e garante margens nominais históricas para o pecuarista que possui o gado confinado.
Por fim, os exportadores em Mato Grosso e no restante do país monitoram com atenção a logística de escoamento atrelada às cotas tarifárias. A análise de mercado aponta para a importância da data de embarque, considerando o tempo de viagem de 40 a 60 dias. Cargas despachadas no início de outubro ainda atracam na China em 2026, ficando possivelmente sob a sobretaxa atual de 67%. Já os contêineres que deixaram os portos brasileiros no fim do mês tendem a chegar apenas em janeiro, passando a contabilizar na nova cota de 2027, estipulada em 1,128 milhão de toneladas.
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