Mega Diário Cuiabá · Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
CÂMARA DE CUIABÁ

Vereadores Chico 2000 e Sargento Joelson viram réus por corrupção e lavagem de dinheiro

chico 2000

Os vereadores Chico 2000 (sem partido) e Sargento Joelson (Podemos) se tornaram réus na Operação Perfídia, que investiga a cobrança de propina para a aprovação de projeto de lei que beneficiaria a empresa HB20 Construções Eireli, responsável pelas obras do Contorno Leste à época. Junto com eles, também responderá pelo processo o assessor de Chico, Rubens Vuolo Júnior, pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A decisão foi tomada pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jean Garcia de Freitas Bezerra, que acolheu os argumentos do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O órgão apontou indícios suficientes de autoria e materialidade.

“As provas mencionadas na denúncia são elementos suficientes para o desencadeamento da ação penal, tendo em mente que nesta fase processual o juízo é de prelibação e o princípio vigente é ‘in dubio pro societate’”, afirma trecho da decisão, datada de 1º de abril.

Com o recebimento da denúncia, os réus serão citados e intimados para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias. O processo, que antes tramitava em segredo de Justiça, agora corre em caráter público.

A Operação Perfídia foi deflagrada em abril do ano passado, ocasião em que os vereadores foram afastados dos cargos. Eles são acusados de terem cobrado R$ 250 mil em propina da empreiteira.

Segundo as investigações, Sargento Joelson teria negociado o pagamento com o aval de Chico 2000, que era presidente da Câmara à época. O valor seria referente à aprovação de um projeto do Executivo que permitia a renegociação de dívidas da prefeitura para obtenção de certidões negativas, garantindo assim recursos para pagamento a empresas, incluindo a HB20 Construções. Áudios e mensagens trocadas entre Joelson e um representante da empresa indicam que Chico 2000 tinha conhecimento das negociações.

As investigações também apontam que R$ 150 mil foram pagos via PIX a José Márcio da Silva Cunha, indicado por Joelson para receber o valor. A ação policial foi conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, que inicialmente afastou os vereadores, que retornaram aos cargos meses depois por decisão judicial.

Outro lado

Após o retorno aos cargos, os dois parlamentares negaram as acusações. O advogado Alaert Rodrigues, que representa Chico 2000, afirmou que recorrerá da decisão para anular a investigação e todas as provas.

“As provas foram indicadas por pessoa totalmente inidônea que responde processo criminal por estelionato. Qual segurança dessas provas? Estamos seguros da ilegalidade”, disse em nota.

Sargento Joelson foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

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